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Aula aberta

Você tem menos dinheiro do que pensa (e isso é uma boa notícia)

Por que o número que o banco mostra quase nunca é o número que você pode usar.

Aula 1 de 8 do curso Dinheiro Tem Endereço na prática · leitura de 5 minutos

A situação

Vou começar com algo que aconteceu comigo.

Eu ajudo a construir o Dinheiro Tem Endereço. Passei semanas desenhando telas, testando cálculos e conferindo cada número. Se alguém deveria entender bem a própria situação financeira, seria eu.

Um dia, fui registrar na ferramenta um empréstimo que eu estava pensando em fazer. Olhei as minhas contas e vi dinheiro suficiente. Na minha cabeça, estava resolvido.

Aí fiz os lançamentos. E a ferramenta me mostrou uma coisa que eu não tinha enxergado: o dinheiro estava lá, mas não estava livre. Boa parte dele já tinha destino. O que sobrava não dava para o empréstimo.

Eu não tinha mais dinheiro do que imaginava, nem menos. Só não tinha olhado direito para ele.

Se isso aconteceu comigo, que trabalho todos os dias com a ferramenta, imagino que possa acontecer com qualquer pessoa. É exatamente sobre isso esta primeira aula.

O porquê

O saldo do banco responde a uma única pergunta: quanto dinheiro existe nesta conta agora? Ele não diz quanto desse dinheiro já tem compromisso.

E quase sempre tem. Pense no que vai acontecer nos próximos dias:

Nada disso aparece na tela do banco. Ele mostra o dinheiro, mas não mostra os compromissos que o dinheiro já tem.

Imagine uma gaveta com vários envelopes. Em um está escrito "aluguel", em outro "cartão", em outro "reserva". Se alguém olhar só a gaveta e somar tudo, vai achar que você tem bastante dinheiro. Mas quem abre os envelopes sabe que quase tudo ali já tem destino.

O saldo do banco é a gaveta. O que a gente precisa enxergar são os envelopes.

Por isso tanta gente sente que "o dinheiro some". Ele não some. Ele já tinha para onde ir, só que ninguém estava olhando.

Separar o dinheiro que eu tenho do dinheiro que eu posso usar é o primeiro passo para organizar a vida financeira. Não se trata de ganhar mais. Trata-se de enxergar melhor o que você já tem. É dessa clareza que saem as boas decisões, inclusive a de ajudar alguém sem se complicar depois.

Experimente agora

Troque os valores pelos seus. A conta é feita aqui no seu navegador: nada é enviado nem gravado.

Você vêR$ 3.500,00
Disponível de verdadeR$ 1.200,00

Os outros R$ 2.300,00 já têm destino.

O que você deve estar vendo agora

O "Disponível de verdade" provavelmente é menor que o total das suas contas. Talvez bem menor. Talvez até negativo.

Isso não é uma notícia ruim. É informação. Essa diferença sempre existiu. A novidade é que agora ela tem nome e tamanho.

Foi esse número que me fez rever o empréstimo. Veja um exemplo: com R$ 3.500 na conta, R$ 1.400 de fatura e R$ 900 de contas até o salário, o que está livre é R$ 1.200. Emprestar R$ 2.000 significaria pagar o cartão com o dinheiro do aluguel, ou deixar alguma conta atrasar.

Com esse número na mão, a decisão muda. Dá para oferecer o que realmente cabe, combinar outra data ou simplesmente dizer "agora não consigo" sem culpa, porque você sabe exatamente por quê.

Reflexão Pense na última vez em que você olhou o saldo e se sentiu tranquilo. Quanto daquele dinheiro já tinha dono? Escreva em uma frase qual compromisso costuma ficar "escondido" dentro do seu saldo. É ele que vamos começar a enxergar na próxima aula.

E se você visse isso todo mês, com o seu dinheiro todo?

Esta foi a primeira de oito aulas. Nas próximas, você vai dar um endereço a cada real que entra, entender por que o cartão gasta um dinheiro que você já não tem e descobrir quanto pode emprestar sem se apertar.

O curso vem junto com o Dinheiro Tem Endereço, a ferramenta que faz essas contas por você todos os dias, com os seus números.

Quero organizar meu dinheiro