Você tem menos dinheiro do que pensa (e isso é uma boa notícia)
Por que o número que o banco mostra quase nunca é o número que você pode usar.
Vou começar com algo que aconteceu comigo.
Eu ajudo a construir o Dinheiro Tem Endereço. Passei semanas desenhando telas, testando cálculos e conferindo cada número. Se alguém deveria entender bem a própria situação financeira, seria eu.
Um dia, fui registrar na ferramenta um empréstimo que eu estava pensando em fazer. Olhei as minhas contas e vi dinheiro suficiente. Na minha cabeça, estava resolvido.
Aí fiz os lançamentos. E a ferramenta me mostrou uma coisa que eu não tinha enxergado: o dinheiro estava lá, mas não estava livre. Boa parte dele já tinha destino. O que sobrava não dava para o empréstimo.
Eu não tinha mais dinheiro do que imaginava, nem menos. Só não tinha olhado direito para ele.
Se isso aconteceu comigo, que trabalho todos os dias com a ferramenta, imagino que possa acontecer com qualquer pessoa. É exatamente sobre isso esta primeira aula.
O saldo do banco responde a uma única pergunta: quanto dinheiro existe nesta conta agora? Ele não diz quanto desse dinheiro já tem compromisso.
E quase sempre tem. Pense no que vai acontecer nos próximos dias:
- A fatura do cartão vai fechar. As compras do mês já foram feitas, e o dinheiro para pagá-las está aí, dentro desse saldo.
- O aluguel, a luz e a internet vencem antes do próximo salário.
- Talvez uma parte você tenha separado de cabeça para algo importante: a reserva, um curso, o conserto da moto.
Nada disso aparece na tela do banco. Ele mostra o dinheiro, mas não mostra os compromissos que o dinheiro já tem.
Imagine uma gaveta com vários envelopes. Em um está escrito "aluguel", em outro "cartão", em outro "reserva". Se alguém olhar só a gaveta e somar tudo, vai achar que você tem bastante dinheiro. Mas quem abre os envelopes sabe que quase tudo ali já tem destino.
O saldo do banco é a gaveta. O que a gente precisa enxergar são os envelopes.
Por isso tanta gente sente que "o dinheiro some". Ele não some. Ele já tinha para onde ir, só que ninguém estava olhando.
Separar o dinheiro que eu tenho do dinheiro que eu posso usar é o primeiro passo para organizar a vida financeira. Não se trata de ganhar mais. Trata-se de enxergar melhor o que você já tem. É dessa clareza que saem as boas decisões, inclusive a de ajudar alguém sem se complicar depois.
Troque os valores pelos seus. A conta é feita aqui no seu navegador: nada é enviado nem gravado.
Os outros R$ 2.300,00 já têm destino.
O "Disponível de verdade" provavelmente é menor que o total das suas contas. Talvez bem menor. Talvez até negativo.
Isso não é uma notícia ruim. É informação. Essa diferença sempre existiu. A novidade é que agora ela tem nome e tamanho.
Foi esse número que me fez rever o empréstimo. Veja um exemplo: com R$ 3.500 na conta, R$ 1.400 de fatura e R$ 900 de contas até o salário, o que está livre é R$ 1.200. Emprestar R$ 2.000 significaria pagar o cartão com o dinheiro do aluguel, ou deixar alguma conta atrasar.
Com esse número na mão, a decisão muda. Dá para oferecer o que realmente cabe, combinar outra data ou simplesmente dizer "agora não consigo" sem culpa, porque você sabe exatamente por quê.
E se você visse isso todo mês, com o seu dinheiro todo?
Esta foi a primeira de oito aulas. Nas próximas, você vai dar um endereço a cada real que entra, entender por que o cartão gasta um dinheiro que você já não tem e descobrir quanto pode emprestar sem se apertar.
O curso vem junto com o Dinheiro Tem Endereço, a ferramenta que faz essas contas por você todos os dias, com os seus números.
Quero organizar meu dinheiro